A cervejaria estava silenciosa naquela noite, daquele tipo de lugar onde você consegue realmente ouvir a pessoa com quem está conversando. Ela havia esperado por aquele momento a semana toda, uma rara oportunidade de ficar sozinha com o marido, de se reconectar sem a agitação dos filhos puxando-os em dez direções diferentes.
Ela havia perguntado se ele queria tomar uma cerveja, e ele disse que sim. Mas então, insistiu em levar o cachorro. Ela concordou, achando que seria bom ter o cão junto na saída.
Assim que chegaram, ela percebeu seu erro. Ele ficou no celular o tempo todo. Não era só checar mensagens ou dar uma olhada rápida nas notificações, ele estava completamente imerso em fóruns do Reddit, atendendo ligações de spam, completamente ignorando-a. Ela tentou rir do ocorrido, dizer a si mesma que era só uma noite. Mas quanto mais o observava, mais a raiva crescia. Ela havia cuidado do cachorro, tentado iniciar conversas, até sugerido dançarem ao som que tocava ao fundo. Nada. Ele era um fantasma em sua própria vida, presente fisicamente, mas completamente ausente mentalmente.
No caminho para casa, ele comentou como a ideia tinha sido boa. Ela respondeu com honestidade, dizendo que havia sentido como um desperdício de seu tempo. Ele se desculpou, mas a desculpa soou vazia. Não era só sobre o celular. Era sobre como ele a fez se sentir. Como se ela não importasse. Como se o tempo dela não valesse sua atenção. Ela sabia que ele estava cansado. Sabia que ser pai era exaustivo. Mas aquilo não era sobre cansaço. Era sobre escolha. Ele havia escolhido ignorá-la, priorizar o celular em vez dela, e aquilo doía mais do que ela esperava.
Ela se perguntou se estava exagerando. Talvez fosse sensível demais. Talvez devesse simplesmente deixar para lá. Mas quanto mais pensava nisso, mais sabia que não estava errada. Merecia algo melhor do que ser um detalhe esquecido em seu próprio casamento. Merecia se sentir prioridade, não uma obrigação. E se ele não conseguia fazer isso, nem por uma noite, o que aquilo dizia sobre o futuro deles juntos?
Ela ficou se perguntando se o amor é suficiente quando alguém escolhe constantemente a distração em vez da conexão. Se alguém não consegue se dar ao trabalho de guardar o celular por algumas horas, o que mais está sendo ignorado?