As caixas estavam empacotadas. O apartamento estava vazio. Ela havia tomado sua decisão, e agora não havia mais volta. Ele ficou na porta, o rosto tomado por choque e tristeza, e ela disse que era o fim. Ela acreditava que ir embora era a coisa certa a fazer. Pensava que as coisas melhorariam para ela, que encontraria felicidade em outro lugar. Mas, dois anos depois, o arrependimento ainda a consumia como uma dor persistente.
Eles haviam ficado juntos por nove anos. Nove anos de risadas compartilhadas, de piadas internas, de construir uma vida juntos. Ele não era apenas seu namorado; era seu melhor amigo, seu confidente, a pessoa em quem confiava mais do que em qualquer outra no mundo. Haviam superado tempestades juntos, comemorado vitórias, enfrentado os altos e baixos da vida como uma equipe. E então, um dia, ela decidiu que era o fim. As razões não importavam mais. O que importava era o vazio que sentia agora, a forma como seu coração ainda doía por ele.
Ela pensava que ir embora lhe daria a liberdade de crescer, de explorar, de se reencontrar. Mas, em vez disso, havia perdido uma parte de si mesma no processo. Sentia falta de como ele fazia seu café pela manhã, de como ele ouvia sem julgar, de como a conhecia melhor do que ninguém. Sentia falta de como ele se encaixava tão perfeitamente em sua vida, como uma peça de quebra-cabeça que só percebeu que estava faltando quando já era tarde demais. Os "e se" a perseguiam. E se tivesse ficado? E se tivesse se comunicado melhor? E se tivesse tentado mais para consertar as coisas em vez de ir embora?
Desde então, ela havia namorado outras pessoas, mas nenhuma delas se comparava. Nenhuma a fazia sentir como ele fazia. Nenhuma a entendia como ele entendia. E agora, restava a dúvida se havia cometido um erro. Se havia jogado fora a melhor coisa que já lhe aconteceu por causa de um desconforto temporário. Se havia deixado o medo ditar suas escolhas em vez do amor.
Ela acreditava estar fazendo a coisa certa na época. Pensava que estava tomando uma decisão que a levaria à felicidade. Mas agora, não tinha tanta certeza. O arrependimento era um companheiro constante, um lembrete da vida que deixou para trás. E a pior parte era que não sabia se algum dia poderia recuperá-la.
Quando você se afasta de alguém que era tudo para você, como saber se tomou a decisão certa?